É (quase) sempre assim: o cidadão trabalha a vida inteira e dá um duro danado pra manter todas as suas contas em dia, não atrasando nenhuma prestação. O tal do crédito torna tudo possível! O que antes se julgava impossível de comprar fica ao alcance das mãos e, o que pode ser pior, dos olhos. Todos caem na tentação.
É um jogo de conquista, tal qual a sedução. Você sempre quis ter uma televisão daquelas, mil polegadas, tela plana. Com a mesma intensidade, você sempre quis ter um namorado como aquele, tão lindo e inteligente, dono de uma lista de adjetivos que faria inveja até mesmo ao Brad Pitt. É difícil escapar ileso desse jogo. Mais dia, menos dia, o cheque é assinado e a compra está feita, em sabe-se lá quantas prestações.
Comprar a prazo é como construir um relacionamento - tem seus ônus e bônus. A cada folha que cai do calendário, uma quantia da dívida é paga, da mesma maneira que a paixão, antes tão tórrida, diminui gradualmente. A data do vencimento é motivo de alegria - para aqueles que não costumam dar calote, óbvio - em ambos os casos: para o comprador, é menos uma dívida; para o apaixonado, é mais um mês ao lado do amor de sua vida. As semelhanças não acabam por aí, pois o desgaste da mercadoria, que só acontece depois de um tempo de uso, também acontece com o coração. Apaixonar-se machuca.
Tentar evitar eventuais machucados é, no entanto, inútil. A vida é cíclica, a televisão de tela plana também. Mas como eu sou prevenida, não tenho a mínima dúvida: em todos os casos, compro à vista.
É um jogo de conquista, tal qual a sedução. Você sempre quis ter uma televisão daquelas, mil polegadas, tela plana. Com a mesma intensidade, você sempre quis ter um namorado como aquele, tão lindo e inteligente, dono de uma lista de adjetivos que faria inveja até mesmo ao Brad Pitt. É difícil escapar ileso desse jogo. Mais dia, menos dia, o cheque é assinado e a compra está feita, em sabe-se lá quantas prestações.
Comprar a prazo é como construir um relacionamento - tem seus ônus e bônus. A cada folha que cai do calendário, uma quantia da dívida é paga, da mesma maneira que a paixão, antes tão tórrida, diminui gradualmente. A data do vencimento é motivo de alegria - para aqueles que não costumam dar calote, óbvio - em ambos os casos: para o comprador, é menos uma dívida; para o apaixonado, é mais um mês ao lado do amor de sua vida. As semelhanças não acabam por aí, pois o desgaste da mercadoria, que só acontece depois de um tempo de uso, também acontece com o coração. Apaixonar-se machuca.
Tentar evitar eventuais machucados é, no entanto, inútil. A vida é cíclica, a televisão de tela plana também. Mas como eu sou prevenida, não tenho a mínima dúvida: em todos os casos, compro à vista.